ORTOMOLECULAR
Introdução | Mecanismo de Ação | Radicais Livres | Conclusão | Anexo 1 | Anexo 2

Introdução  
Medicina Biomolecular é aquela que atua na prevenção e no tratamento das doenças, utilizando vários recursos e procedimentos disponíveis na medicina contemporânea. É a medicina que aprendemos na escola, acrescida das recentes aquisições no campo da bioquímica , da nutrição, da ecologia sistêmica, da indução enzimática, da expressão gênica, dos radicais livres, etc., sendo considerada uma das estratégias terapêuticas básica da medicina .

O nome ortomolecular não é usado por nós e vamos explicar o porquê. Este termo foi cunhado em 1968 por um grande químico, um dos cientistas mais criativos do nosso século , o Prof. Linus Pauling , baseado em trabalhos randomizados e duplo cegos do psiquiatra canadense, Abrahan Hoffer que conseguiu diminuir o tempo de internação de esquizofrênicos com o uso de doses elevadas de vitamina B3( 3g/dia). Devido à fama do eminente professor, os médicos nos Estados Unidos começaram a empregar o termo ortomolecular com um grande apelo de marketing pessoal e de uma panacéia que absolutamente não existe, e que beneficia a eles próprios e a industria farmacêutica, ávida de resultados financeiros . Quem emprega este nome , se esquece e desrespeita os próprios descobridores das vitaminas, dos sais minerais e dos ámino ácidos. O nome biomolecular , existe desde que a bioquímica deu os seus primeiros passos e é o respeito e a gratidão unidos às bases científicas datadas de mais de 150 anos que nos fazem empregar o termo biomolecular , que é simplesmente : a bioquímica aplicada à clínica.
Mecanismo de Ação  
Na estratégia biomolecular o médico deve estar apto a :

1- descobrir quais nutrientes essenciais estão em deficit ;
2- se existe metais tóxicos no organismo;
3- como está funcionando o sistema endócrino;
4- como estão os sistemas de excreção : intestinos, fígado e rins, e
5- se existe intolerância ou alergia alimentar.

O nosso primeiro desafio junto ao paciente é descobrir quais os nutrientes que estão faltando e o segundo desafio é descobrir se estão presentes elementos estranhos ao meio interno e ás células. Muitas vezes a correção dos desvios encontrados é o suficiente para proporcionarmos o necessário equilíbrio metabólico/energético requerido para retornar novamente o paciente ao estado de saúde.

Esta primeira abordagem da Medicina Biomolecular constitui-se nos rudimentos, na parte geral comum a todas as especialidades médicas. A sua aplicação aumenta a eficácia dos tratamentos convencionais ou complementares. O pensamento lógico, comprovado por inúmeros trabalhos científicos é simples: devemos introduzir nas células e no meio interno os elementos químicos que porventura estejam faltando e retirar os elementos em excesso ,geralmente estranhos ao organismo. É fácil compreender que um organismo sem deficiências e sem substâncias a ele estranhas reagirá muito melhor a qualquer tipo de tratamento. E muito mais que isso: se o organismo estiver saudável, ele estará em melhores condições de assim continuar, pois todos os seus mecanismos de defesa estarão em condições ideais de funcionamento.

Vamos nos ater neste artigo à parte geral da medicina biomolecular, aquela parte comum a todas as especialidades médicas convencionais ou não.

Todas as células do corpo produzem energia com a finalidade de fabricar vários tipos de moléculas necessárias para o seu bom funcionamento. Das centenas de substâncias que entram neste processo todas são sintetizadas pelo organismo, exceto cerca de 47 delas. Estas substâncias são chamadas de "nutrientes essenciais" e portanto o organismo deve recebê-las já prontas do meio externo. Isto quer dizer que necessitamos de um aporte nutricional adequado, em elementos essenciais, e não é dificil compreender que a falta de um ou mais desses elementos prejudicará o funcionamento das células e, consequentemente do organismo como um todo. ( Anexo 1 : Os 47 nutrientes essenciais )

Devemos ressaltar que as deficiências de nutrientes essênciais, tão freqüentes hoje, coincide com o alarmante aumento de várias doenças como: hipoglicemia funcional, depressão, astenia, hiperatividade, infeçções de repetição, etc, incluindo as doenças degenerativas: aterosclerose, câncer e artropatias, as quais não mais estão se limitando à idade.

Na época que Casimir Funk cunhou a palavra vitamina, as deficiências dessas substâncias eram intensas e provocavam doenças bem definidas, com quadros clínicos completos e facilmente identificáveis como o escorbuto, a pelagra e o beriberi. Hoje o que habitualmente encontramos são deficiências vitamínicas parciais e portanto as expressões clínicas são incompletas e de difícil diagnóstico para o profissional não atento. E não estamos nos referindo ás camadas de baixa renda, e sim às pessoas de classe média ou alta . A maioria desses indivíduos se alimentam bem e se nutrem mal. Possuem quantidade, mas não qualidade.

A indústria alimentícia e as agro indústrias expoliam os alimentos de diversos tipos de nutrientes ao lado de a eles adicionarem metais e substâncias estranhas. A colheita, o armazenamento e o transporte de legumes, verduras e frutas nas condições atuais, reduzem drasticamente a quantidade de vitaminas e sais minerais neles contidos. Por outro lado e agravando a situação, está a pobreza do nosso solo em vários micronutrientes tais como: selênio, cromo, zinco, cobalto, manganês, etc.

Tudo isso vem ocorrendo após a era industrial, onde o organismo vem sendo submetido às substâncias alienígenas como conservantes, acidulantes, estabilizantes, edulcorantes, antioxidantes sintéticos, agrotóxicos e, particularmente a diversos tipos de metais como o chumbo, o mercúrio, o alumínio , acrescido da má qualidade dos alimentos ingeridos.
Radicais Livres  
Para dar seqüência ao nosso raciocínio, vamos discorrer brevemente sobre os radicais livres. Em 1900 descobriu-se o primeiro radical livre. Em 50 anos se conheceu toda a sua química e em 1954 pela primeira vez relacionou-se estas substâncias reativas e tóxicas a uma doença inexorável: o envelhecimento. Hoje, acredita-se que esses elementos, com elétron não pareado na camada de valência, sejam os responsáveis pelo menos em parte, pelo elevado número de doenças abrangendo vários orgãos e sistemas.

De todo oxigênio disponível pela célula,95% se transforma em energia, utilizada para fabricar substâncias vitais e mantê-la funcionante e viva. E o que acontece com os 5% restantes ? Pois bem, isto é muito interessante e simples. Esses 5% são transformados no metabolismo em radicais livres de oxigênio ou como melhor chamados de espécies reativas tóxicas de oxigênio: radical superóxido, peróxido de hidrogênio e radical hidroxila.

Esses elementos são gerados no organismo desde a concepção logo nos primeiros segundos de vida intrauterina e a sua produção é continua durante toda a nossa existência. Até os 40/45 anos, administra-se muito bem esses 5% e consegue-se neutralizá-los. Chega o dia em que a produção de radicais livres excede a sua degradação e sobrepuja os mecanismos de defesa naturais anti-radical e de reparo celular e tem-se o início das alterações estruturais de proteínas, lipídeos, ácidos nucléicos e carboidratos, as quais culminam na lesão celular. Assim sendo ocorre, paulatina e gradativamente, lesão de molécula a molécula, célula a célula, tecido a tecido, orgão a orgão, até chegarmos à instalação das doenças. Um dos mecanismos mais freqüentes de lesão celular ocorre na membrana celular no fenômeno conhecido como peroxidação lipídica.

Não podemos nos esquecer que nosso organismo necessita de uma certa quantidade de radicais livres para serem usados em algumas reações fisiológicas , incluindo matar as bactérias fagocitadas pelos neutrófilos. Abolir completamente os radicais livres seria interferir na nossa bioquímica normal e nas nossas defesas, portanto não podemos ingerir indiscriminadamente as vitaminas ,os sais minerais e os aminoacidos, pois quebrariamos algo de muito importante : o equilíbrio dinâmico dos nutrientes.

Esta ficando cada vez mais difícil administrar os radicais livres e uma das razões é a crescente exposição do organismo aos metais tóxicos como o chumbo, o mercúrio, o cádmio, o alumínio, o níquel, etc, e aos metais considerados não tóxicos dependendo da sua concentração no organismo, como por exemplo, o ferro e o cobre. Todos esses metais, particularmente o ferro, atuam como catalisadores, aumentando a geração dos radicais livres de oxigênio na reação chamada de Waber-Weiss. Quanto ao ferro, a sua falta provoca aquilo que todos nós sabemos e enxergamos no paciente, a anemia ferropriva , porém, o excesso das reservas corporais deste elemento ( aumento da ferritina sérica) provoca algo impossível de se perceber dentro do consultório médico. Somente os estudos populacionais é que percebem a importância do excesso das reservas de ferro: aumento da prevalência de : angina, infarto do miocardio , acidente vascular cerebral, câncer e infecções de repetição.
Conclusão  
Podemos desvendar os déficits de nutrientes, por exemplo, com o emprego de tabelas de inquérito de sinais e sintomas , por ex. usando questionário computadorizado com 400 perguntas aliada a análise de minerais no cabelo (mineralograma capilar).

Na prescrição dos nutrientes para pacientes, não podemos nos guiar pelas tabelas de doses mínimas necessárias (R.D.A.:Recommended Dosis Allowance), porém elas são úteis para termos uma idéia das quantidades de nutrientes necessários para o indivíduo normal em condições padrões .Nós devemos nos preocupar na verdade é com as doses ótimas para aquele indivíduo em particular, com determinada doença, idade, estado nutricional, moléstias associadas etc. Tarefa difícil, porém não impossível, se utilizarmos as reações do próprio paciente como parâmetro de controle e os ensinamentos da biodisponibilidade e da cronobiologia dos nutrientes. Seria uma espécie de medicina intensiva de consultório, onde o médico administra algum nutriente suspeito de estar deficiente e observa contínua e pacientemente os efeitos resultantes.

Resumindo, se nós oferecermos às células todos os elementos necessários ao seu metabolismo, elas terão condições de produzir energia, fabricar substâncias vitais, degradar os radicais livres, e agir nos mecanismos de reparo celular e de vigilância imunológica. Se concomitantemente empregarmos as técnicas e os medicamentos específicos de cada especialidade ou os tratamentos complementares indicados, estaremos aumentando as probabilidades de êxito terapêutico(medicina curativa).Se porventura o indivíduo que esta sendo submetido a este tipo de abordagem for saudável, estaremos aumentando a sua probabilidade de assim se manter(medicina preventiva). No Anexo 2 enumeramos as 10 estratégias da medicina biomolecular.

No momento atual , a evolução dos conceitos e o melhor conhecimento dos mecanismos básicos da biologia molecular e da física quântica levaram a medicina biomolecular a ampliar as suas estratégias, com a finalidade de aumentar ainda mais a eficácia do tratamento clássico da medicina tradicional.

Muitas vezes somente a desintoxicação e a reposição dos nutrientes e dos hormônios , não é o suficiente para restaurar o equilíbrio desejado. Estamos empregando uma visão mecanicista da biologia , visão avançada sim , porque é baseada no acúmulo de conhecimentos da bioquímica clássica , entretanto sentimos que ela é incompleta.

Estamos em uma época ,que o nosso raciocínio precisa se adequar aos novos conhecimentos da intimidade da matéria . A abordagem da física newtoniana do homem como máquina , deve ceder espaço para a abordagem do homem integrado à natureza da qual ele faz parte. Os átomos com todos os seus sub níveis de energia são os constituintes de toda matéria existente no universo, e estamos dizendo de toda a matéria existente , incluindo a biológica .

Os conceitos da física moderna estão aí solitários, isolados e sem voz para nós médicos. É como se tais conceitos simplesmente não existissem. Este mundo completamente novo e inexplorado queiramos ou não, existe e está interagindo com os sistemas biológicos .

A Medicina Complementar, surgiu para congregar médicos das várias especialidades, a utilizar os recursos disponíveis da estratégia biomolecular e outras estratégias que serão discutidas neste Site para alcançarmos o objetivo maior: a PREVENÇÂO DAS DOENÇAS. Nós médicos precisamos aprender a perceber o HOMEM , como um SER pertencente ao UNIVERSO, perfeitamente integrado na NATUREZA, e devemos estar aptos a aplicar ou indicar a melhor estratégia terapêutica .
Anexo 1  
Os 47 nutrientes essenciais que devem ser recebidos do meio externo

Além da Água e do Oxigênio:

Aminoácidos
1-Histidina
2-Leucina
3-Isoleucina
4-Valina
5-Lisina
6-Metionina
7-Fenilalanina
8-Treonina
9-Triptofano

Ácido Graxo essencial
10-Ácido linoleico

Vitaminas
11-Tiamina (B1)
12-Riboflavina (B2)
13-Niacina (B3)
14-Piridoxina (B6)
15-Ácido fólico (B9)
16-Cobalamina (B12)
17-Ácido pantotênico
18-Biotina
19-Ácido para-amino-benzóico (PABA)
20-Inositol
21-Colina
22-Ácido ascórbico (C)
23-Retinol (A)
24-Calciferol (D)
25-Alfa tocoferol (E)
26-Menadiona (K)

Sais minerais:
27-Sódio
28-Potássio
29-Cálcio
30-Fósforo
31-Magnésio
32-Manganês
33-Ferro
34-Cobre
35-Zinco
36 - Selênio
37 - Cromo
38- Iodo
39 - Enxofre
40 - Lítio
41 - Boro
42 - Flúor
43- Vanádio
44- Molibdênio
45-Ácido lipóico
46-Taurina
47-Bioflavonóides (rutina, hesperidina, quercetina)
Anexo 2  
As 10 ESTRATEGIAS DA MEDICINA BIOMOLECULAR

1-Cuidar do Sistema Digestivo
2-Dieta Inteligente
3-Exercícios aeróbicos moderados
4-Resolver os problemas do cotidiano usando a razão e não as emoções desnecessárias
5-Aprender a livrar-se dos metais tóxicos
6-Abolir o fumo e o excesso de álcool
7-Higiene do sono
8-Aprender a se livrar dos campos eletromagnéticos prejudiciais e das zonas geopatogênicas
9- Aprender a se beneficiar dos campos eletromagnéticos
10- Antioxidantes e nutrientes com moderação e equilíbrio